E não é que tá dando samba…

Às vezes, basta resolver suprir uma curiosidade, sem grandes pretensões e expectativas grandiosas, para se abrir uma caixa de pandora às avessas e descobrir paixões ocultas, vontade de se jogar, dar marcha ré e tomar um rumo totalmente diferente… que pode ser mais sinuoso, mas não por isso menos agradável, pelo contrário: parece que saí da autoestrada de alta velocidade e peguei uma via secundária, para calmamente ir descobrindo lugares menos badalados, surpresas e ver até onde posso chegar.

Meu alter ego Aurora está começando a dominar todo o meu ser, fazendo prevalecer aquilo que sempre amei, com que sempre sonhei, mas que deixei adormecido por um certo pragmatismo e medo de errar. Mal sabia que estava errando ao tomar um caminho mais seguro, de estar na (minha) mediocridade, em vez de procurar aquilo que sempre me apaixonou.

Pois isso está mudando. Estou cavando, com uma colherzinha de sopa, um novo túnel, buscando uma nova luz. E, após muito tempo, estou feliz, muito feliz, antes mesmo de ter começado um período de muito aprendizado e ralação. Estou me sentindo viva e interessante, por que não? ;)

Esse post já é um mea culpa para justificar um certo sumiço, mas uma promessa de que o prazer de escrever aqui e a vontade de cumprir o desafio não estão esquecidos, apenas sofrerão uma pequena interrupção até que a rotina se acomode. Me aguarde cansada, mas com mais fôlego que nunca!

Liniers e filosofia, tudo a ver.

Lembrete.

Daqui.

Por hoje é só, pessoal.

 

 

 

Moda é história.

“Os prazeres desta privacidade incluíam o desfrute de seus jardins viçosos, a criação de apresentações teatrais particulares e, sempre que possível, a adoção de roupas muito mais simples no lugar dos rígidos trajes da corte, com a estrutura inflexível das anquinhas e da cauda. Afinal de contas, foi por conta desta época em que Maria Antonieta, abandonando a pesada maquiagem tradicional, começou a usar os seus clássicos vestidos de musseline branca. Eram apenas uma peça simples de tecido enfiada pela cabeça com o decote franzido por um cordão. Acrescentavam-se alguns babados e fitas e o vestido era amarrado na cintura com uma faixa de seda azul-claro ou listrada. Com um chapéu de palha para completar…”

– trecho do livro “Maria Antonieta – biografia”, de Antonia Fraser, ed. Record.

Marie Antoinette retratada por Madame Vigée Le Brun em 1783, com o traje descrito na passagem.

E na versão de Sofia Coppola

Mais adiante, na passagem que fala do seu gosto por decoração de interiores:

“Maria Antonieta, animadora do Petit Trianon, tinha um gosto especial pelos tecidos de algodão conhecidos como toiles de Jouy, introduzidos na França na década de 1770, pela chinoiserie e pelas cenas pastoris à moda de Boucher.”

De lá para cá, o toile de jouy se eternizou e expandiu seus horizontes para além da decoração, aparecendo em estamparias de roupas e mesmo além do têxtil.

Padronagem da linha casa da marca gringa The French Cupboard

Saia com estampa toile de jouy da grife Sta. Ephigênia

Ganhando um ar cool: linha especial da Keds para a França

Toile de jouy na porcelana

É relativamente fácil encontrar tecidos com a padronagem, seja no tradicional azul, ou com rosa, vermelho, preto, caramelo. Mais um clássico que foge do indefectível floral.

Um insônia no meio do caminho…

… fechou meus olhos às 5 da manhã quase. O que significa que matei o curso hoje :(

Primeiro desafio MIB: camisa com gola bebê e manga sino [2/81*]. Os primeiros passos.

* a numeração indica quantos dos elementos do livro estão sendo testados no presente desafio, em relação ao total a ser experimentado no fim do desafio. Ou seja, com a gola bebê e a manga sino, tento fazer duas peças das oitenta e uma que o livro ensina, desconsiderando os capítulos de malha e de modelagem infantil. 
As opções para começar a desbravar o IMB eram muitas.
Como tinha ido na São Januário Tecidos e comprado um tecido mais fofo do mundo de corujas, me inspirei para fazer uma camisa glamour, com manga seventies e gola retrozinha. Estampa, tendências, tudo junto e misturado.
Preciso abrir parênteses e fazer uma propaganda da São Januário. Não, isso não é jabá, não sou uma blogueira de mão cheia pra isso, né… ainda (?).  Quem sabe as lojas de tecido e aviamentos não resolvem investir em novos targets e me dão uns agradinhos um dia!
Mas anyway, já que falei tão mal de armarinhos, pela dificuldade de achar certos materiais e a simpatia-é-quase-amor que rege o atendimento, resolvi limpar essas energias ruins para falar bem genuinamente de algo, sem maiores interesses (isto é, até pintarem jabás, claro!).
O Centro tem várias lojas de tecido com bastante variedade, preços bons, e atendimento cordial. Os vendedores – não sei porquê, mas eles são majoritariamente senhores homens – costumam ser pacientes e mostrar pechinchas. A São Januário é uma loja fisicamente menor – portanto, mais confortável que as vizinhas de Rua Buenos Aires e adjacências – mas que tem uma variedade incrível de tecidos mais nobres!
Sua especialidade são os linhos, mas nunca vi tantos tecidos compostos por fio de seda (coisa rhyca) estampados lindos, dignos das Marias Bonitas Extras e Leeloos da vida… o preço, por serem tecidos mais preciosos, é mais alto, fiquei louca por uma seda pura estampada que custava 98 o metro, mas achei meio audacioso para uma aprendiz…não dá pra estragar uma joia dessa, né? Mas quem sabe eu não fecho o desafio com chave de ouro?
Pois bem, acabei comprando duas tricolines de boa qualidade, compostas de bastante algodão, e estampas que não havia visto nas lojas das redondezas, por preços bons, menos de 18 reais o metro…
Uma delas foi a primeira vítima desse desafio, que é o tecido de corujas! Como eu disse aqui, sou vidrada em estampas de passarinhos (e nos próprios de verdade, desde que fora das gaiolas) e tenho a sorte de se tratar de um gosto oportuno, pois está em várias coleções das vitrines afora…

Corujismo amassado.

Imaginei logo uma camisa com esse tecido, por ser levemente transparente e espalhafatoso para uma peça inteira, como um vestido. E nosso clima ameno atual pede uma manguinha longa, né?
No curso, estou concluindo uma camisa abotoada e pude aproveitar bastante da base de molde que já havia feito. A diferença é que a base é feita para um modelo acinturado, e eu sou a menina-magra-que-usa-roupas-largas… gosto de modelagens mais soltas. Então, foi hora de arriscar.
Aproveitei a cava e o degolo do meu molde made in class, mas resolvi fazer um evasé no corpo. Abri 6cm em cada lado do quadril, uni o ponto entre a cava e pronto. Mas achei que precisava fazer uma pence no corpo do molde, pra dar um acabamentozinho – frente e costas, o que significava ter que compensar os 2cm que serão dobrados na linha da cintura. Nessa hora me embananei um pouco, mas resolvi fazer um “calombo” e quer saber, não vou pensar nisso até a execução. Na hora eu vejo se meu improviso intuitivo deu certo.
Fiz o corpo da camisa, mas agora faltam moldes de mangas e golas, o que dependerá basicamente das instruções do livro. Vai ficar pra amanhã porque a pessoa aqui está levemente adoentada com falta de ar e, por conta disso, a ideia de tomar um bom antialérgico e adormecer vendo televisão é bem mais atraente do que fazer serão.
Mais updates amanhã em muito breve!

Panorama da bagunça. E o livro inspirador sobre a apostila do curso.

Detalhe molde - cava e degolo

Eureca!

Não sei quanto a vocês, mas eu não vejo botão de compartilhamento dos posts para o Facebook e outras redes sociais. Para vocês isso deve ser normal, mas pra mim é uma tortura… porque acreditem, minha gente, venho tentando loucamente colocar aquele botão “curtir” para que as pessoas que leem aleatoriamente o blog visualizem a página do Facebook  [alô, você, que me descobriu sem me conhecer e tem FB, clique aqui para ver e curtir a página lá!] , mas já concluí, pelas informações coletadas de tutoriais, que isso depende de uma versão mais avançada – e, portanto, paga – do WordPress. Vou quebrar o cofrinho, prometo!

Também venho tentando inserir aqueles botões “compartilhar” ao fim de cada post para que, se alguém quiser mostrar esse trabalho incrível aqui (cof) para os amigos do Twitter, FB e outras redes que sequer conheço possam fazê-lo, mas nada dos benditos aparecerem.

E não é que agora eu descobri que, apesar desses botões não aparecerem na página inicial do Aurora, quando eu clico no título de cada post (exemplificando, o título desse é ‘Eureca!’), os botões mostram a sua cara. Quer dizer, todos menos o que eu mais gosto, do FB. Mas acredito que ele vai ter boa vontade quando esse blog contar com um layout personalizado.

Vai me dizer que você já sabia disso e eu fui a última a saber? Então, por acaso já compartilhou algo interessante? =)

To prolixa hoje, ainda vem post aí.

Falta de juízo

Outro dia fui à manicure logo após a aula de costura, em um salão onde não costumo ir com frequência. A manicure, que acabara de me conhecer, viu minhas réguas de alfaiate e perguntou se eu costurava, disse que a sogra dela é excelente costureira.

Eu disse que estava no início, vinha direto da aula e tal, mas que um dia esperava que alguém dissesse que eu também era excelente costureira.

Papo vai, papo vem, ela me perguntou se eu era formada e, ao ouvir que eu tinha diploma em Direito, perguntou, espantada:

“- E de adevogada quer virar costureira? Je-sus!!!!”

Eu apenas sorri e desconversei. Até porque não sei afirmar honestamente o que quero, com toda certeza.

Pois é, gente, nem sempre a melhor escolha é a mais óbvia e a que seria mais aclamada…